CDQCON espalha cultura geek pelo Circuito Liberdade em nova edição em Belo Horizonte
Evento ocupa diferentes espaços do Circuito Liberdade com programação voltada para quadrinhos, animação, games, cosplay e arte digital
Durante muito tempo, eventos geeks em Belo Horizonte ficaram concentrados em espaços fechados, ginásios ou centros de convenções. A CDQCON parece seguir outro caminho. Em vez de transformar a cultura pop em algo isolado dentro de um único prédio, a feira decidiu espalhar sua programação pelo Circuito Liberdade e ocupar parte do coração cultural da cidade.
A 8ª edição da Feira da Casa dos Quadrinhos acontece entre os dias 29 e 31 de maio e reúne atividades voltadas para quadrinhos, animação, RPG, board games, cosplay, cinema e arte digital. Só que talvez o detalhe mais interessante deste ano esteja justamente na forma como o evento foi distribuído por diferentes espaços culturais de Belo Horizonte.
O corredor de artistas, por exemplo, será montado no Anexo da Biblioteca Pública Estadual e deve reunir mais de 80 expositores independentes. Enquanto isso, o MM Gerdau, Museu das Minas e do Metal, receberá bate-papos, oficinas e áreas dedicadas a RPG e jogos.
A programação também tenta aproximar a feira do audiovisual mineiro. O Teatro II do CCBB BH receberá a Mostra de Animação e Longas-Metragens Mineiros, exibindo produções como Chef Jack: O Cozinheiro Aventureiro, Nimuendajú e Placa Mãe.
Existe algo simbólico nisso tudo. A cultura geek em Belo Horizonte sempre teve uma relação muito forte com ocupação coletiva de espaços. Feiras, encontros, eventos de anime e convenções cresceram muito na cidade justamente porque criavam sensação de comunidade. A CDQCON parece entender bem esse espírito ao transformar o Circuito Liberdade quase em um percurso geek temporário durante o fim de semana.
Outro ponto curioso da edição deste ano é a mistura entre tecnologia, arte e experiências interativas. O estande da XP-PEN promete demonstrações ao vivo de equipamentos de arte digital, além de descontos para o público da feira. Já o Espaço do Conhecimento da UFMG exibirá mostras de animação em sua fachada digital durante as noites do evento.
No fim, a CDQCON parece refletir uma mudança que vem acontecendo em vários eventos de cultura pop no Brasil. O público continua procurando grandes atrações, claro, mas existe também uma valorização cada vez maior de artistas independentes, produções locais e experiências presenciais que criem sensação de pertencimento.
E talvez seja justamente por isso que feiras assim continuam crescendo.
Porque no meio de tanta cultura pop consumida por tela, algoritmo e feed infinito, ainda existe algo muito forte em encontrar pessoas ocupando os mesmos espaços por causa das mesmas paixões.


