Love Kills quer provar que vampiros ainda têm espaço no cinema brasileiro

Filme transforma o centro de São Paulo em cenário para uma história que cruza fantasia, encontros improváveis e personagens perdidos na madrugada

Por décadas, vampiros dominaram diferentes fases da cultura pop. Foram monstros, anti heróis, astros adolescentes e símbolos de romances impossíveis. Mas existe algo curioso em Love Kills. Em vez de castelos, cidades isoladas ou cenários góticos tradicionais, o filme troca tudo isso por ruas vazias, luzes urbanas e madrugadas no centro de São Paulo.

O longa brasileiro chega aos cinemas nesta quinta-feira, 21 de maio, apostando em uma combinação pouco comum dentro das produções nacionais, terror, fantasia e romance reunidos em uma mesma narrativa.

Inspirado no quadrinho de Danilo Beyruth e dirigido por Luiza Shelling Tubaldini, o filme acompanha Marcos, personagem vivido por Gabriel Stauffer, um garçom que trabalha em um café na capital paulista. Sua rotina muda quando ele conhece Helena, interpretada por Thais Lago, uma jovem vampira que o arrasta para um universo muito diferente daquele que ele conhece.

A cidade vira personagem da história

Existe algo interessante por trás da proposta do filme. O centro de São Paulo não aparece apenas como pano de fundo.

Segundo Gabriel Stauffer, boa parte da preparação para interpretar Marcos envolveu uma imersão real na região. O ator se mudou temporariamente para o centro da cidade e passou meses observando a dinâmica das ruas, absorvendo hábitos, rotinas e a atmosfera noturna que ajudaria a construir seu personagem.

A escolha faz sentido dentro da própria narrativa. Marcos é apresentado como alguém conectado à madrugada, às ruas e a personagens que vivem à margem. Isso aproxima o longa de uma abordagem menos fantasiosa e mais urbana, algo raro em produções nacionais que trabalham elementos sobrenaturais.

Gabriel Stauffer mergulhou na madrugada paulistana para construir o protagonista

Além de marcar sua estreia como protagonista de um longa exibido nos cinemas, Love Kills também representa uma mudança de território para Gabriel Stauffer. Conhecido por trabalhos em novelas, musicais e séries como De Volta aos 15, o ator encara aqui seu primeiro projeto voltado ao suspense e terror. Para construir Marcos, personagem que vive cercado pela atmosfera noturna do centro de São Paulo, Stauffer decidiu ir além do trabalho tradicional de preparação.

Durante cerca de três meses, ele se mudou para a região central da cidade e passou a observar a rotina das ruas, as pessoas e o movimento da madrugada. A experiência ajudou a moldar um personagem que transita entre encontros improváveis, solidão urbana e uma realidade que parece existir enquanto a maior parte da cidade dorme.

Terror brasileiro busca novos caminhos

Durante muito tempo, o terror nacional ficou associado a nichos específicos ou produções independentes menores. Nos últimos anos, porém, o gênero começou a explorar caminhos diferentes, misturando suspense com elementos de fantasia, drama e questões sociais.

Talvez Love Kills encontre justamente sua identidade aí. Em vez de tentar reproduzir fórmulas internacionais, o filme parece procurar um espaço próprio, colocando criaturas clássicas da cultura pop dentro de uma realidade muito mais próxima do público brasileiro.

Porque no fim, talvez a ideia mais curiosa do filme não seja a existência de vampiros. Talvez seja imaginar vampiros caminhando pela madrugada de São Paulo.

Crédito do retrato de Gabriel Stauffer: Julia Lego
Crédito do still: Beta Iribarrem

Mário Guedes

Jornalista cultural, especialista em marketing e apaixonado por contar histórias que conectam pessoas, tendências e ideias. Entre a cultura pop, a comunicação e o empreendedorismo, transformo informação em conteúdo com identidade, propósito e impacto.